Monday, August 10, 2026

Fuja do imediatismo

Caiu no imediatismo. 

Entre o vai e vem desse blog, insisto.  Acho importante escrever. 

O imediatismo das redes sociais, a oralidade e o excesso de imagem dos vídeos curtos deixam o nosso cérebro preguiçoso. É o que dizem os estudiosos. 

Por isso, acho legal você ter criado um blog sobre música. É incrível como identifica cada música na primeira nota, sabe a história de cada letra e conhece a trajetória da maioria dos artistas. Muito legal mesmo! 

Acho que você deveria escrever mais, muito mais. O tempo é escasso. Eu sei disso. Mas pense alto. Pense nas linhas. 

Escrever ajuda o seu cérebro e o dos outros também. 

Compartilhe as suas ideias, encante com a sua paixão pela música. Eu insisto. Fuja do imediatismo. 


Essência

Travamos debates intermináveis sobre diversos assuntos e cada vez tenho mais certeza de que vai trilhar o caminho certo. Defende as suas ideias com afinco e vê o mundo sem preconceitos, muito mais do que eu. E olha que eu pensei ser a maior idealista do mundo. 

Num desses dias, ouvindo você 'advogando' por alguma razão, lembrei da Gigi pequenininha. Estava nos seus 3 e 4 anos quando conhecemos uma família recém chegada do Brasil. Nós também tínhamos passado uma temporada por lá e você estava na fase de se comunicar melhor em português. 

Os novos amigos tinham entre 2 e 5 anos. A menina era a mais e velha e o menino já carregava uma longa história. Não sei dar detalhes, mas ele tinha um (ou mais) tumor no pescoço, próximo à boca. Isso fazia com que essa região do rosto ficasse mais saliente, diferente. 

A mãe das crianças se apaixonou por você e só mais tarde entendi o porquê. As brincadeiras rolavam soltas no condomínio, no parquinho e em qualquer lugar. Você nunca me perguntou o que ele tinha. 

E isso era raro, me contou a mãe do menino em uma ocasião. A irmã dele chegou a escondê-lo embaixo da mesa em uma reunião de crianças na igreja, elas "tinham medo" dele. Você nunca percebeu o que era diferente. 

Finalmente ele conseguiu acesso a um tratamento definitivo e foi fazer uma cirurgia. Quando eu te contei, você me perguntou o motivo do amigo ter ido para o hospital. Eu respondi que ele iria tirar a bolinha do do rosto. 

Nesse momento você soltou: Que bolinha? Nunca percebeu. 

Eu me emocionei porque você o via de verdade. A sua essência era capaz de enxergar a dele. 

Hoje, vocês nem se veem. As crianças talvez nem se lembram dessa fase, mas a sua essência é a mesma. Eu tenho muito orgulho disso. 

Monday, July 13, 2026

Não é não

Sabe aquela velha frase de cenas policiais que diz "tudo o que você falar poderá ser usado contra você no tribunal"? Com você é assim. 

Cada conversa nossa, a mais aleatória, aquela que eu nem imagino que você vai recordar um dia, é usada contra mim. Não sei se me dá orgulho ou raiva. 

Mais orgulho, mas me dá raiva também.

Hoje de manhã  ouvi um "não" e ainda um "não é não" com o complemento de que eu deveria te ensinar isso. Te ensino, foi de mim que você ouviu "não é não" pela primeira vez. E vale para vários contextos. 

O mais enfático é no relacionamento (quase) amoroso.  O garoto tem que respeitar a sua vontade sempre. Não é não. 

Mas também pode ser usado em uma amizade tóxica, em algum momento que vai te ferir mais do que contribuir. 

E, claro, na relação mãe e filha. Não é não, embora você queira me convencer e vice-versa. 


Monday, July 6, 2026

Acabou para o Brasil

Em três semanas fomos da fé na seleção brasileira para a decepção com os jogadores. A derrota para a Noruega confirmou aquele medo que te trouxe ansiedade. Se as coisas mudarem tática e sistematicamente pode ser que a expectativa renasça daqui a quatro anos. 

Aliás, muito provavelmente a gente vai ter esperança novamente em 2030. É o sangue brasileiro. 

Acho, inclusive, que foi a brasilidade que faltou para a seleção. Talvez se eles tivessem jogado descalço teriam colocado a raça daqueles meninos que sonhavam em ser jogador de futebol e venceram obstáculos muito maiores do que o Haaland para chegar onde estão. 

Isso a gente não pode esquecer. Eles não podiam ter esquecido. 

Agora metade da bandeira está a meio mastro e a outra está em campo. A seleção americana tem veia imigrante e jogado bem. A camisa também está no peito. 

Vai torcer, vamos torcer,  mas tem que ser jogo limpo ainda que já tenha uma mancha, afinal anular um cartão vermelho à pedido do presidente do país é vergonhoso. A arbitragem erra e faz parte da competição, não pode(ria) reverter. 

Um árbitro sempre vai delinear uma partida e tudo pode ser diference quando troca essa peça, inclusive para o Brasil. 



Monday, June 22, 2026

É gol!

 Confesso que não entendo nada de futebol e me penalizo com a derrota do adversário. Mas quero o Hexa!

Sou o típico perfil de torcedora que vira meme. Como você diz, eu passo o jogo todo direcionando os jogadores: vem, vem; vai, vai. E existem milhares assim retratadas na internet, né?

Mas você está levando à sério. Veste a camisa seja do Brasil ou dos Estados Unidos para entrar na torcida e sabe o que está rolando no campo ou pelo menos está aprendendo. O impedimento já pode chegar gritar antes do bandeirinha. 

O conhecimento já é o suficiente para rir de mim. Virei piada até na hora do gol. 

Monday, June 15, 2026

Começa, tenta e recomeça

 Hoje é um dia daqueles. 

Embora a segunda-feira o meu dia preferido da semana porque significa (re) começo, está dando um pouco errado. 

Acordei atrasada. Não dei conta do que tinha que ter feito pela manhã e já deveria ter começado o programa.

A ginástica foi entre cortes de outras demandas. 

O texto da semana estou escrevendo agora quando era para estar pronto. 

Estou tentando, mas está funcionando pouco. 

O que quero te dizer é que comigo também acontece. Mas é importante começar mesmo com medo e de altas possibilidades de não dar certo. 

A gente tenta acertar, fazer o melhor. E se não der certo, recomeça. 

Assim como hoje. eu comecei e tentei. Errei, agora recomeço. 

Amizade é ter o phone number

Sempre lembro disso com muita graça. Toda vez que encontrávamos um conhecido na rua e cumprimentávamos, você perguntava se tínhamos o 'phone number'  da pessoa. Era o símbolo da amizade. 

Desde que você começou a falar, com pouco mais de dois anos, com mais clareza, perguntava se a gente tinha o número do telefone para confirmar o vínculo. Você tem o 'phone number' dele?, questionava.

Nos dias de hoje, talvez você perguntaria sobre o Instagram que nem existia na época. 

O fato é que você foi descobrindo que a amizade não se mede pela agenda telefônica nem pelos contatos nas redes sociais. De milhares, há poucos de verdade. E nem sempre os de verdade estão disponíveis o tempo todo, mas vão estar lá quando precisar. 

'Phone number' é só mais uma combinação de números.