Monday, August 24, 2026

Igual mesmo

Descobrimos que eu e você temos muitas semelhanças enquanto crianças. Durante o jantar eu contava sobre a minha fascinação em acompanhar a minha avó nas visitas que ela fazia, ficar sentada ao seu lado e prestar atenção em cada detalhe. 

Eu parecia a menina mais comportava do mundo, mas a minha intenção era outra. Ao chegar em casa,  imitava cada uma das pessoas que eu encontrei. Minha avó jurava que eu ia ser atriz. 

Foi então que o seu pai falou: "Igual a Gigi". Igual mesmo. 

Embora você não imitasse ninguém, a todo lugar que íamos voltava com uma profissão nova. Até na simples ida à adminstração do condomínio, você voltava uma Teressa, pronta para alugar ou até vender um apartamento para quem quer que fosse. 

A motorista da van da creche, o caixa da loja, o médico, a dentista, o garçon, o padre e o pastor, além de todas as professoras. Todo mundo tinha o direito de ser interpretado para você. 

Também pensei que você seria artista. Até experimentou o palco e foi muito bem, mas parece que vai querer interpretar outra figura que te fascina nos tribunais. E boa sorte para quem te enfrentar por lá porque você já arrasa nos ensaios. 

A magia da infância

Se me perguntarem qual é a melhor idade para uma criança visitar a Disney, eu digo, com certeza, aos três anos. Essa foi a sua primeira vez no mundo encantado e você viveu como se todos os personagens fossem de verdade. Era como você via e vivia. Por isso mesmo vale uma exceção e abrir um álbum de fotos para narrar esse episódio, afinal uma imagem vale mais do que mil palavras. 

Tudo bem que o primeiro impacto não foi dos melhores. Na época você tinha medo de cachorro e logo de cara encontrou o Pluto. Ele tentou ser simpático, mas não conteve o seu choro. Ficou apavorada. Essa fotografia foi censurada, então fica o registro do esforço do pet do Mickey para te conquistar. Foi o começo.


Vieram outros personagens, tentamos aproximação com o dono da casa, o próprio Mickey Mouse. Você não quis nem saber. Eu que acabei tirando a foto com ele depois de uma hora da fila. 

Mas a história começou a mudar quando entramos no esconderijo das fadas. Rosetta te encantou e você começou a gostar do passeio. A Tinker Bell merecia o seu abraço. 






A festa foi ficando cada vez melhor e o convite para voltar outras vezes partiu de você. Teve cara a cara com a Jessie no desfile do Toy Story. 


Mas as princessas foram um show à parte. Elas realmente mereciam tirar uma foto com você e o também ter o seu abraço.  




E na caverna da Merida foi que eu e seu pai realmente entendemos o seu encanto. Você era a estrela principal dessa história. Enquanto outras crianças queriam ver os personagens, você compreendeu que precisava ser vista - era uma gentileza - e até o arqueiro da princessa ganhou um abraço. 

Nós não flagramos esse momento porque,  assim como o rapaz que lançava as flechas, eu e seu pai fomos surpreendidos pela sua esponteinadade em distribuir amor. O ator, com um sorriso, admitiu que nunca havia recebido o carinho de uma criança enquanto desempenhava essa função, mas você jamais deixaria um 'fã' sem receber a devida atenção. 



Ah, Gigi, você realmente é uma figura. Gostou tanto do seu novo papel que até as estátuas que enfeitam a Disney passaram a merecer a sua atenção. 


Viva a magia da infância!

Monday, August 17, 2026

Fotos

 Sou louca por fotos embora não goste de ser fotografada. Gosto mesmo é de lembrar de histórias através das imagens. 

Você sempre amou pousar para fotos e gravar vídeos quando era menor. O grau de exigência consigo mesma foi crescendo com o passar do tempo e agora os cliques expontâneos ficaram mais raros. Mesmo assim dou uma de chata e a flagro em alguns momentos até descabelada. 

Na hora você briga, manda apagar. Eu digo que quem manda no meu celular sou eu. Estão todas guardadas, não mostro para ninguém nem publico. 

Quando a gente as revê juntas, você acaba mudando de ideia. Gosta porque te refresca a memória.

Aliás, me impressiona com a riqueza de detalhes que você descreve o momento de cada foto. É capaz de lembrar do cheiro que estava no ar, do que tinha comido do dia. Santa memória!

Eu fico na saudade que dizem que é triste, mas eu gosto e me arranca sorrisos e até gargalhadas. Só não vale fazer xixi na calça;-)

Monday, August 10, 2026

Fuja do imediatismo

Caiu no imediatismo. 

Entre o vai e vem desse blog, insisto.  Acho importante escrever. 

O imediatismo das redes sociais, a oralidade e o excesso de imagem dos vídeos curtos deixam o nosso cérebro preguiçoso. É o que dizem os estudiosos. 

Por isso, acho legal você ter criado um blog sobre música. É incrível como identifica cada música na primeira nota, sabe a história de cada letra e conhece a trajetória da maioria dos artistas. Muito legal mesmo! 

Acho que você deveria escrever mais, muito mais. O tempo é escasso. Eu sei disso. Mas pense alto. Pense nas linhas. 

Escrever ajuda o seu cérebro e o dos outros também. 

Compartilhe as suas ideias, encante com a sua paixão pela música. Eu insisto. Fuja do imediatismo. 


Essência

Travamos debates intermináveis sobre diversos assuntos e cada vez tenho mais certeza de que vai trilhar o caminho certo. Defende as suas ideias com afinco e vê o mundo sem preconceitos, muito mais do que eu. E olha que eu pensei ser a maior idealista do mundo. 

Num desses dias, ouvindo você 'advogando' por alguma razão, lembrei da Gigi pequenininha. Estava nos seus 3 e 4 anos quando conhecemos uma família recém chegada do Brasil. Nós também tínhamos passado uma temporada por lá e você estava na fase de se comunicar melhor em português. 

Os novos amigos tinham entre 2 e 5 anos. A menina era a mais e velha e o menino já carregava uma longa história. Não sei dar detalhes, mas ele tinha um (ou mais) tumor no pescoço, próximo à boca. Isso fazia com que essa região do rosto ficasse mais saliente, diferente. 

A mãe das crianças se apaixonou por você e só mais tarde entendi o porquê. As brincadeiras rolavam soltas no condomínio, no parquinho e em qualquer lugar. Você nunca me perguntou o que ele tinha. 

E isso era raro, me contou a mãe do menino em uma ocasião. A irmã dele chegou a escondê-lo embaixo da mesa em uma reunião de crianças na igreja, elas "tinham medo" dele. Você nunca percebeu o que era diferente. 

Finalmente ele conseguiu acesso a um tratamento definitivo e foi fazer uma cirurgia. Quando eu te contei, você me perguntou o motivo do amigo ter ido para o hospital. Eu respondi que ele iria tirar a bolinha do do rosto. 

Nesse momento você soltou: Que bolinha? Nunca percebeu. 

Eu me emocionei porque você o via de verdade. A sua essência era capaz de enxergar a dele. 

Hoje, vocês nem se veem. As crianças talvez nem se lembram dessa fase, mas a sua essência é a mesma. Eu tenho muito orgulho disso. 

Monday, July 13, 2026

Não é não

Sabe aquela velha frase de cenas policiais que diz "tudo o que você falar poderá ser usado contra você no tribunal"? Com você é assim. 

Cada conversa nossa, a mais aleatória, aquela que eu nem imagino que você vai recordar um dia, é usada contra mim. Não sei se me dá orgulho ou raiva. 

Mais orgulho, mas me dá raiva também.

Hoje de manhã  ouvi um "não" e ainda um "não é não" com o complemento de que eu deveria te ensinar isso. Te ensino, foi de mim que você ouviu "não é não" pela primeira vez. E vale para vários contextos. 

O mais enfático é no relacionamento (quase) amoroso.  O garoto tem que respeitar a sua vontade sempre. Não é não. 

Mas também pode ser usado em uma amizade tóxica, em algum momento que vai te ferir mais do que contribuir. 

E, claro, na relação mãe e filha. Não é não, embora você queira me convencer e vice-versa. 


Monday, July 6, 2026

Acabou para o Brasil

Em três semanas fomos da fé na seleção brasileira para a decepção com os jogadores. A derrota para a Noruega confirmou aquele medo que te trouxe ansiedade. Se as coisas mudarem tática e sistematicamente pode ser que a expectativa renasça daqui a quatro anos. 

Aliás, muito provavelmente a gente vai ter esperança novamente em 2030. É o sangue brasileiro. 

Acho, inclusive, que foi a brasilidade que faltou para a seleção. Talvez se eles tivessem jogado descalço teriam colocado a raça daqueles meninos que sonhavam em ser jogador de futebol e venceram obstáculos muito maiores do que o Haaland para chegar onde estão. 

Isso a gente não pode esquecer. Eles não podiam ter esquecido. 

Agora metade da bandeira está a meio mastro e a outra está em campo. A seleção americana tem veia imigrante e jogado bem. A camisa também está no peito. 

Vai torcer, vamos torcer,  mas tem que ser jogo limpo ainda que já tenha uma mancha, afinal anular um cartão vermelho à pedido do presidente do país é vergonhoso. A arbitragem erra e faz parte da competição, não pode(ria) reverter. 

Um árbitro sempre vai delinear uma partida e tudo pode ser diference quando troca essa peça, inclusive para o Brasil.