Monday, January 26, 2026

Orgulhosa de criar uma "Good" americana

Me orgulho de você, Gigi, em muitas coisas, mas a que mais me faz vibrar é o seu comprometimento com o bem. 

Muita gente fala que americano é prepotente e arrogante. Eu sei que não. O que se vê hoje nos Estados Unidos não é normal, não pode ser. 

Ver você reagir a tudo isso é motivo de muito orgulho. Você usa a sua rede social para se posicionar sobre o que defende. Sobre os imigrantes, por exemplo, uma causa tão próxima a nós, você tem uma visão clara. Não é uma adolescente alienada. 

Em tempos de Trump, você age. A sua revolta diante dos assassinatos de Renee Good e Alex Pretti pelo ICE em Minneapolis me traz esperança.

Você não tem medo de escancarar a sua opinião nas redes sociais, afinal é para isso que elas servem, né? Uma fonte de expressão, não para criar uma realidade paralela. 

Além disso, quem cala é conivente com a situação.

O povo americano é você, Gigi. Solidária, defensora da igualdade e da liberdade. Inconformada com a injustiça e certa de que a morte de "Good" citizens não vai ser em vão. 

Tenho orgulho de educar uma boa cidadã [americana]. Você representa milhares de "Good" American citizens. 

E isso é de berço. Desde bebê, você me acompanha no ativismo. E eu também me orgulho disso.

Puerpério: cada um tem o seu


Outro dia vi um relato da jogadora de vôlei Key Alves sobre puerpério e puxei na memória essa nossa fase. Foi desafiadora, mas não terrível como tem dito a influenciadora. 
 

Quando você nasceu, não se falava muito sobre isso. Eu nem sabia definir por nome, na verdade. Lembro da minha avó falar sobre resguardo. Antigamente nem o cabelo podia-se lavar o cabelo até o quadragésimo dia após o parto.

A verdade é que cada mulher vive de um jeito por uma série de fatores. Por isso, é importante compartilhar sem romantizar nem aterrorizar.
 

A jogadora, acostumada com condicionamento físico, reclama do cansaço. Ela conta que a Rosamaria trocou o dia pela noite. Você fez isso por um tempo também. Dormia durante o dia na babá e me fazia dançar a noite inteira com você. Amamentar também dava certo. 

Deixa eu explicar desde o começo. Você nasceu numa terça-feira e duas semanas antes do previsto, eu ainda estava trabalhando. Na verdade nunca deixei de trabalhar. 

O fim de semana já me avisava que alguma coisa estava mudando. Pela primeira vez, os sapatos não couberam. Meus pés estavam bem inchados, era a primeira vez que isso acontecia.

Na segunda-feira, participei de uma reunião logo pela manhã e lá me disseram que você chegaria a qualquer momento. Minha barriga parecia bem maior do que a última vez que me viram - dias antes-  e eu mal cabia entre a cadeira e a mesa. De lá, peguei o metrô e fui para o escritório. 

Eu liguei para o hospital porque eu estava tendo um corrimento líquido há uns dias. Eu já tinha reportado. Acharam que eu estava fazendo xixi aos poucos, mas finalmente resolveram investigar. Era o meu líquido aminiótico. 

O seu parto foi induzido. Foram 24 horas para você finalmente você colocar o rostinho para fora pouco antes das 22 horas. Linda!

Na manhã seguinte você foi levada para o Children's Hospital e eu recebi alta. Eu saí andando, estava bem, mas chorava rios. Foi difícil ver os médicos te levando. Não era nada sério, apenas precaução. Conto isso em uma próxima vez. 

Mas isso levou uma semana. Eu te visitei todos os dias. Passava o dia sentada ao seu lado. Te amamentava e tirava muito leite para que não te faltasse à noite. Eu não podia dormir com você. Todos os dias, as enfermeiras me "convidavam a sair".

Em casa, era um silêncio absurdo e triste. O bercinho vazio me fazia chorar. 

Finalmente você veio para casa. Passei mais duas semanas afastada do trabalho. Um luxo para aquela época nos Estados Unidos.  

Nem 40 dias,  muito menos seis meses. Eu tive duas semanas de afastamento remunerado. A terceira foi por minha conta. 

Sua tia me ajudou com o primeiro banho e me ensinou muitas coisas. Amamentar não era um problema, era a solução. Chorou, mamou. 

Você dormia em um bercinho do lado da minha cama embora já tivesse o seu quarto porque era mais fácil. Depois passou a dormir comigo na cama porque facilitava amamentação e eu me cansava menos. Afinal, a rotina  do trabalho me esperava na manhã seguinte.

Agora quando o choro era cólica era mais difícil. Eu chorava junto. Fiquei mais sensível, mas o fato é que sou chorona mesmo. 

Consegui reduzir a jornada fora de casa e tentei escalar um esquema de ajuda entre eu, uma babá - a Meire queridíssima - e o seu pai. Não deu certo.

Tive que levar você para a babá, comum entre os brasileiros nos EUA. 

Key Alves diz que só vai contratar babá depois de um mês porque o bebê precisa da mãe. Acho que ela está certa. Quem pode, pode. 

Aliás, se eu puder dar um conselho de mãe de primeira viagem de licença ou que trabalhe: Use e abuse do privilégio de dormir enquanto o bebê dorme. Esse foi o conselho do pediatra quando eu reclamei da sua ausência de sono. O doctor Osler disse que se você estava se alimentando e brincando, estava dormindo o suficiente e o problema da falta de dormir era meu. 

Não levei a mal. Ele era um querido que me apelidou da "mãe mais sorridente", embora com olheiras profundas. 











Monday, January 5, 2026

Um ano com novas tradições e velhos costumes

Desde que você aprendeu a escrever fazemos a nossa lista de objetivos no ano novo. Esse também é o momento de analisar se conquistamos o que definimos para o ano anterior. De 2025 para 2026 foi diferente. 

Achei bom. A mudança de tática pode colocar a gente em uma posição mais favorável no jogo. Embora 2025 tenha sido um ano difícil,  a avaliação dos últimos 12 meses foi positiva. Poderia ter sido ainda mais desafiador. 

Além de não colocar no papel, descobrimos, finalmente, que os desejos devem ser feitos a cada uma das 12 uvas degustadas. Já tínhamos essa tradição, mas erramos o número. Não sei porque sempre pensamos que eram 7, mas são 12 para representar os meses do ano. Óbvio, né?

Até isso achei bom. Penso o seguinte: se tívéssemos fazendo tudo certo e mesmo assim não cumprindo toda a nossa lista, ia ser bem mais frustrante. Dessa forma esperança aumenta. 

Na internet você encontrou uma novidade. Começar o ano com uma nota de dois dólares no pé direito para atrair sorte e garantir que o dinheiro "caminhe com a pessoa durante todo o ano".  

E não foi uma nota de dois dólares qualquer. Seu pai a guardava na carteira há anos. Ele disse que recebeu de alguém especial e agora passava para você. Tudo vai dar mais certo. 

Mas de um ritual eu não abro mão e espero que você também não. A prece. 

"Deus guie os nossos caminhos nesse ano na trilha da paz, justiça, saúde e prosperidade. Amém". 

Aqui começa o nosso 2026. 

Monday, December 22, 2025

Papai Noel (não) existe

 Nem sei porque não escrevi sobre isso antes. Já se vão sete anos desde o último Natal que o bom velhinho era uma figura esperada e presente. 

Por motivos que já contei, há um bom tempo você desconfiava dessa estória. Mas foi durante um passeio no shopping, já próximo à Páscoa, que mais uma vez você me perguntou: 'Papai Noel existe?'. 

E eu, como já vinha fazendo há um bom tempo, respondi com outra pergunta: 'O que você acha?'. Dessa vez a sua resposta mudou tudo. Ao dizer não, eu que quis questionar: 'Por que'?. 

De pronto, a menina da Geração Z respondeu: 'Pesquisei no Google'. 

Ah, Gigi, eu imagino o quanto foi decepcionante para você descobrir que as cartas que  você escrevia iam para a minha caixa de recordação e os bilhetes que acompanhavam os presentes eram fruto da minha imaginação. O leite e as cookies também eram para mim, mas o amor era e é todo seu. 

Fico feliz, e aliviada, que a revelação também não tirou o brilho dessa época. Você ama decorações, assiste todos os filmes de Papai Noel, segue as tradições e deseja que fosse Natal o ano inteirinho. 

Além disso, como sempre foi, entende que o mais importante é o nascimento de Jesus. E esse Espírito nasce no nosso coração todos os dias, mas a gente tem que deixar. Lembre-se sempre disso, não é fantasia. 

Agora de volta àquele passeio ao shopping a maior decepção estaria por vir. Sem que você perguntasse, e apostando na sua boa reação ao descobrir que Papai Noel existe de outro jeito, seu pai resolveu revelar o mistério do Coelhinho da Páscoa. Aí foi um chororo que eu conto outro dia.

Monday, December 8, 2025

Eu te ensinei a falar, hoje você me corrije

Eu te ensinei a falar em português. Em inglês, você apreendeu sozinha e através dos cartoons e depois na escola. Por isso, é perfeito e nato. O seu “brasileiro” é fluente, avançado eu diria. O meu inglês continua o mesmo e você me corrige.

Seria um erro tentar te ensinar a falar em inglês. Sou imigrante e cometo deslizes, embora eu me gabe que o sotoque do norte do Paraná é um aliado, pelo menos quando se trata do sotaque da Nova Inglaterra e arredores.

Aliás, você é a americana mais parananense que conheço. O “r” puxado deixa o seu pai de cabelos em pé. Você não ‘naisceu’, você nasceu.

E é justo. Quando você tinha uns dois anos ninguém entendia o que você falava. Eu sabia tudo e traduzia para o resto do mundo – em inglês e português – o que você estava dizendo. Era incrível como a nossa comunicação era eficiente.

Com o tempo, você falava mais inglês. O medo se transformou numa naturalidade que eu queria ter.

Não sei se você se lembra, acho que já contei em outro momento, que aos três anos você só queria ir em lugares que falavam português. Tínhamos passado uns meses no Brasil e o idioma ficou mais próximo.

Aos poucos, as coisas foram se encaixando. Hoje você corrige o meu inglês e eu adoro ouvir as confusões que você faz em português. Outro dia você falou que “a perna faliu” ao invés de falar “a perna falhou”. Morre

Eu ainda vou escrever um dicionário para tantas palavras que fazem mais sentido que as reais. São pérolas e valem um post.

Monday, September 15, 2025

Coisas de general

Quando a gente está no meio de uma discussão, ou debate, não sei como definir, fico pensando como você vai ser com a sua filha. Lembro de como minha mãe era e tento não repetir as coisas que eu não gostava que ela fazia. Confesso que nem sempre é possível. 

Nessa hora, visualizo você, no futuro, sendo chamada de general. É assim que você me chama quando eu começo a enumerar a lista do que precisa ser feito. E nem é muito. Aliás, já no primeiro item vem o elogio.

Para um "alguma coisa" sempre tem um "mas".

Adolescente é contestador. Eu sou contestadora até hoje, mas acho que era menos na sua idade. Ou minha mãe era mais general. 

Minha avó dizia que eu tinha resposta para tudo e minha mãe nem sabia. Falava pelos cantos, por trás. Não havia essa abertura que tem comigo. Talvez seja coisa da época. 

Nossa casa certamente não é um quartel, mas um dia você vai entender que sempre haverá regras, em qualquer lugar. E para que as coisas  fluam bem é preciso seguir um roteiro ainda que nem tudo saia como no script. 

Eu não sou um general, sou mãe. Um dia você vai entender.

Monday, September 8, 2025

Você pode ser o que quiser

'Você pode ser o que quiser' parece um clichê. E é. Mas também é uma grande verdade. 

Você vai se lembrar disso a cada etapa da vida. Vai dizer que eu tinha razão, mas não gostava do meu tonzinho. 

E vai chegar onde quiser. 

Mas como tudo é um processo tem que pagar o preço. O nosso caminho depende do que decidir enfrentar. 

Escolher o que gosta de fazer facilita, embora isso não signifique facilidade. 

Muitas vezes o maior desafio vai ser encarar você mesma. Ter a ousadia para enfrentar o fracasso antes do sucesso chegar. Entender que o sucesso também é subjetivo. Pode ser milhares de seguidores ou gente que te acompanha porque realmente entende a sua proposta. A soma desses dois é sempre o melhor, concordo. 

Comece mesmo que não esteja pronto. Arrisque. Você pode. 

O importante é ter a manha para filtrar as críticas, se importar menos, fazer o bem sempre e ser feliz. 

Você pode (e vai) ser o que quiser.