Outro dia vi um relato da jogadora de vôlei Key Alves sobre puerpério e puxei na memória essa nossa fase. Foi desafiadora, mas não terrível como tem dito a influenciadora.
Quando você nasceu, não se falava muito sobre isso. Eu nem sabia definir por nome, na verdade. Lembro da minha avó falar sobre resguardo. Antigamente nem o cabelo podia-se lavar o cabelo até o quadragésimo dia após o parto.
A verdade é que cada mulher vive de um jeito por uma série de fatores. Por isso, é importante compartilhar sem romantizar nem aterrorizar.
A jogadora, acostumada com condicionamento físico, reclama do cansaço. Ela conta que a Rosamaria trocou o dia pela noite. Você fez isso por um tempo também. Dormia durante o dia na babá e me fazia dançar a noite inteira com você. Amamentar também dava certo.
Deixa eu explicar desde o começo. Você nasceu numa terça-feira e duas semanas antes do previsto, eu ainda estava trabalhando. Na verdade nunca deixei de trabalhar.
O fim de semana já me avisava que alguma coisa estava mudando. Pela primeira vez, os sapatos não couberam. Meus pés estavam bem inchados, era a primeira vez que isso acontecia.
Na segunda-feira, participei de uma reunião logo pela manhã e lá me disseram que você chegaria a qualquer momento. Minha barriga parecia bem maior do que a última vez que me viram - dias antes- e eu mal cabia entre a cadeira e a mesa. De lá, peguei o metrô e fui para o escritório.
Eu liguei para o hospital porque eu estava tendo um corrimento líquido há uns dias. Eu já tinha reportado. Acharam que eu estava fazendo xixi aos poucos, mas finalmente resolveram investigar. Era o meu líquido aminiótico.
O seu parto foi induzido. Foram 24 horas para você finalmente você colocar o rostinho para fora pouco antes das 22 horas. Linda!
Na manhã seguinte você foi levada para o Children's Hospital e eu recebi alta. Eu saí andando, estava bem, mas chorava rios. Foi difícil ver os médicos te levando. Não era nada sério, apenas precaução. Conto isso em uma próxima vez.
Mas isso levou uma semana. Eu te visitei todos os dias. Passava o dia sentada ao seu lado. Te amamentava e tirava muito leite para que não te faltasse à noite. Eu não podia dormir com você. Todos os dias, as enfermeiras me "convidavam a sair".
Em casa, era um silêncio absurdo e triste. O bercinho vazio me fazia chorar.
Finalmente você veio para casa. Passei mais duas semanas afastada do trabalho. Um luxo para aquela época nos Estados Unidos.
Nem 40 dias, muito menos seis meses. Eu tive duas semanas de afastamento remunerado. A terceira foi por minha conta.
Sua tia me ajudou com o primeiro banho e me ensinou muitas coisas. Amamentar não era um problema, era a solução. Chorou, mamou.
Você dormia em um bercinho do lado da minha cama embora já tivesse o seu quarto porque era mais fácil. Depois passou a dormir comigo na cama porque facilitava amamentação e eu me cansava menos. Afinal, a rotina do trabalho me esperava na manhã seguinte.
Agora quando o choro era cólica era mais difícil. Eu chorava junto. Fiquei mais sensível, mas o fato é que sou chorona mesmo.
Consegui reduzir a jornada fora de casa e tentei escalar um esquema de ajuda entre eu, uma babá - a Meire queridíssima - e o seu pai. Não deu certo.
Tive que levar você para a babá, comum entre os brasileiros nos EUA.
Key Alves diz que só vai contratar babá depois de um mês porque o bebê precisa da mãe. Acho que ela está certa. Quem pode, pode.
Aliás, se eu puder dar um conselho de mãe de primeira viagem de licença ou que trabalhe: Use e abuse do privilégio de dormir enquanto o bebê dorme. Esse foi o conselho do pediatra quando eu reclamei da sua ausência de sono. O doctor Osler disse que se você estava se alimentando e brincando, estava dormindo o suficiente e o problema da falta de dormir era meu.
Não levei a mal. Ele era um querido que me apelidou da "mãe mais sorridente", embora com olheiras profundas.
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