Eu te ensinei a falar em português. Em inglês, você apreendeu sozinha e através dos cartoons e depois na escola. Por isso, é perfeito e nato. O seu “brasileiro” é fluente, avançado eu diria. O meu inglês continua o mesmo e você me corrige.
Seria um erro tentar te ensinar a falar em inglês. Sou imigrante e cometo deslizes, embora eu me gabe que o sotoque do
norte do Paraná é um aliado, pelo menos quando se trata do sotaque da Nova
Inglaterra e arredores.
Aliás, você
é a americana mais parananense que conheço. O “r” puxado deixa o seu pai de
cabelos em pé. Você não ‘naisceu’, você nasceu.
E é justo. Quando
você tinha uns dois anos ninguém entendia o que você falava. Eu sabia tudo e
traduzia para o resto do mundo – em inglês e português – o que você estava
dizendo. Era incrível como a nossa comunicação era eficiente.
Com o tempo,
você falava mais inglês. O medo se transformou numa naturalidade que eu queria
ter.
Não sei se
você se lembra, acho que já contei em outro momento, que aos três anos você só queria
ir em lugares que falavam português. Tínhamos passado uns meses no Brasil e o
idioma ficou mais próximo.
Aos poucos,
as coisas foram se encaixando. Hoje você corrige o meu inglês e eu adoro ouvir as
confusões que você faz em português. Outro dia você falou que “a perna faliu” ao invés de falar “a
perna falhou”. Morre
Eu ainda
vou escrever um dicionário para tantas palavras que fazem mais sentido que as
reais. São pérolas e valem um post.
