Monday, December 8, 2025

Eu te ensinei a falar, hoje você me corrije

Eu te ensinei a falar em português. Em inglês, você apreendeu sozinha e através dos cartoons e depois na escola. Por isso, é perfeito e nato. O seu “brasileiro” é fluente, avançado eu diria. O meu inglês continua o mesmo e você me corrige.

Seria um erro tentar te ensinar a falar em inglês. Sou imigrante e cometo deslizes, embora eu me gabe que o sotoque do norte do Paraná é um aliado, pelo menos quando se trata do sotaque da Nova Inglaterra e arredores.

Aliás, você é a americana mais parananense que conheço. O “r” puxado deixa o seu pai de cabelos em pé. Você não ‘naisceu’, você nasceu.

E é justo. Quando você tinha uns dois anos ninguém entendia o que você falava. Eu sabia tudo e traduzia para o resto do mundo – em inglês e português – o que você estava dizendo. Era incrível como a nossa comunicação era eficiente.

Com o tempo, você falava mais inglês. O medo se transformou numa naturalidade que eu queria ter.

Não sei se você se lembra, acho que já contei em outro momento, que aos três anos você só queria ir em lugares que falavam português. Tínhamos passado uns meses no Brasil e o idioma ficou mais próximo.

Aos poucos, as coisas foram se encaixando. Hoje você corrige o meu inglês e eu adoro ouvir as confusões que você faz em português. Outro dia você falou que “a perna faliu” ao invés de falar “a perna falhou”. Morre

Eu ainda vou escrever um dicionário para tantas palavras que fazem mais sentido que as reais. São pérolas e valem um post.

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