Você vai odiar a história que vou contar hoje, diz que eu não tenho que contar isso para ninguém.
Foi o dia mais desesperador da minha vida. Me senti a pior mãe do mundo quando te perdi na praia. Sim, eu fiz isso e quase morri. Mas você me achou.
Fomos à Cocoa Beach, o cenário da famosa série de I Dream of Jeannie que o seu pai adora, quando você tinha 8 anos. Chegamos por volta das 10 horas e nos acomodamos ao lado do posto de salva-vidas, sempre achei mais seguro.
Aos poucos a praia foi enchendo de gente. Nesse tempo, você foi buscar água para fazer o nosso castelo. Era logo ali, mas em um minuto você sumiu. Tentei te avistar. Nada!
Avisei ao seu pai que você havia sumido. Ele virou um atleta e correu pra lá e pra cá perguntando se alguém havia visto uma menininha de biquini rosa. Nada.
Tia Suzana pegou o telefone e mostrava a sua foto. E eu questionando sem parar os salva-vidas se era possível você ter se afogado.
Papai temia um sequestro. São tantas crianças que desaparecem todos os dias, você não podia ser mais uma.
Enquanto tio Bolacha continuava correndo de um lado para o outro, seu pai teve a brilhante ideia de que eu deveria ficar com o meu telefone. Você sabia o meu número. Ele tinha criado uma música e você cantarolava essa sequência.
Não deu outra. O telefone tocou. Eu não sei quanto tempo passou, mas uma mulher me ligou assim que eu peguei o telefone e disse que estava com você.
A essa altura a polícia já havia sido acionada. O helicóptero sobrevoava a praia. E eu estava desesperada.
Você andou mais de 30 minutos com o baldinho cheio de água até ter coragem de pedir para a moça me ligar. Eu fui de carona no buggy dos salva-vidas para te buscar. O policial já estava ao seu lado.
Eu agradeci aquela mulher, que eu nunca soube o nome, milhares de vezes. Ela deve ter me achado uma doida desvairada: como pode perder uma menininha?
Voltamos com o baldinho cheio de água. Papai estava muito bravo, mas era desespero.
Eu não sei como eu não desmaiei. Me senti a pior mãe do mundo. E fui.
Mas você me encontrou. Como sempre, foi muito mais esperta do que eu.
